de bloguices...

YANNI - Felitsa



Sábado, Março 25, 2006


ANSEIOS

Meu doido coração aonde vais
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce inquietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!...

Não 'stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar...

Florbela Espanca

postado por Ana 11:31 AM



Segunda-feira, Março 20, 2006



DUAS REGRAS BÁSICAS PARA SER FELIZ:

Primeira: Não se preocupe com bobagens

Segunda: Tudo é bobagem

postado por Ana 7:08 PM



Domingo, Março 12, 2006



Em Tempo

Certo dia estando com tempo,
comecei a pensar há quanto
tempo aqui cheguei...
e encontrei tantos tempos perdidos...
tempos vazios que passar deixei...
porque depois de um certo tempo,
a gente começa a pensar
que já não é mais tempo
de se fazer algo maior,
de desejar... de sonhar... de amar...
que o nosso tempo já passou,
aqueles rosados tempos de outrora...
ah! se pudesse fazer voltar
aqueles tempos... mas agora
já não é mesmo meu tempo,
pois até os tempos mudaram,
são outros os tempos,
tempos modernos,
para aqueles que nascem
nesses tempos de agora...
então lembrei-me,
que há tempos atrás,
sonhei em fazer algo, mas
achei que já não era mais meu tempo...
que estava fora do tempo... mas se
tivesse feito? Não teria
perdido mais estes tempos...
bem... creio que já não era mesmo
meu tempo ou seria... pensei...
porque depois de todo aquele tempo
ali a raciocinar,
comecei a convencer-me
que sempre há tempo de algo realizar...
pois não há limite de tempo...
que há sempre tempo de desejar... sonhar...
de amar,
em nosso tempo... ou dentro de
qualquer tempo... quando temos tempo...

Edmundo Dantés Passos

postado por Ana 8:31 PM



Quinta-feira, Março 09, 2006



As queixas acerca da decadência do gosto musical são, na prática, tão antigas quanto esta experiência ambivalente que o gênero humano fez do limiar da época histórica, a saber: a música constitui, ao mesmo tempo, a manifestação imediata do instinto humano e a instância própria para o seu apaziguamento. Ela desperta a dança das deusas, ressoa da flauta encantadora de Pã, brotando ao mesmo tempo da lira de Orfeu, em torno da qual se congregam saciadas as diversas formas do instinto humano. Toda vez que a paz musical se apresenta perturbada por excitações bacânticas, pode-se falar da decadência de gosto. Entretanto, se desde o tempo da noética grega a função disciplinadora da música foi considerada um bem supremo e como tal se manteve, em nossos dias, certamente mais do que qualquer outra época histórica, todos tendem a obedecer cegamente à moda musical, como aliás acontece em outros setores. Contudo, assim como não se pode qualificar de dionisíaca a consciência musical contemporânea das massas, da mesma forma pouco têm a ver com o gosto artístico em geral as mais recentes modificações desta consciência musical. O próprio conceito de gosto está ultrapassado. A arte responsável orienta-se por critérios que se aproximam muito do conhecimento: o lógico e o ilógico, o verdadeiro e o falso. De resto, já não há campo para escolha; nem sequer se coloca mais o problema, e ninguém exige que os cânones da convenção sejam subjetivamente justificados; a existência do próprio indivíduo, que poderia fundamentar tal gosto, tornou-se tão problemática quanto, no pólo oposto, o direito à liberdade de uma escolha, que o indivíduo não consegue mais viver empiricamente. Se perguntarmos a alguém se "gosta" de uma música de sucesso lançada no mercado, não conseguiremos furtar-nos à suspeita de que o gostar e o não gostar já não correspondem ao estado real, ainda que a pessoa interrogada se exprima em termos de gostar e não gostar. Em vez do valor da própria coisa, o critério de julgamento é o fato de a canção de sucesso ser conhecida de todos; gostar de um disco de sucesso é quase exatamente o mesmo que reconhecê-lo. O comportamento valorativo tornou-se uma ficção para quem se vê cercado de mercadorias musicais padronizadas. Tal indivíduo já não consegue subtrair-se ao jugo da opinião pública, nem tampouco decidir com liberdade quanto ao que lhe é apresentado, uma vez que tudo o que se lhe oferece é tão semelhante ou idêntico que a predileção, na realidade, se prende apenas ao detalhe biográfico, ou mesmo à situação concreta em que a música é ouvida. As categorias da arte autônoma, procurada e cultivada em virtude do seu próprio valor intrínseco, já não têm valor para a apreciação musical de hoje.

Adorno

postado por Ana 7:41 PM




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